Ao comemorar o Dia do Cirurgião-Dentista, a Uniodonto Goiânia celebra a trajetória e a dedicação profissional de seus mais de 400 cooperados resgatando momentos marcantes de sua história e de um de seus cofundadores, o cooperado João Ferreira da Rocha Filgueira, ex-presidente por vários mandatos e um de seus renovadores
Contar a história da Uniodonto Goiânia e do que ela significa para o fortalecimento do cooperativismo no Brasil é também contar um pouco da história de uma das personalidades mais visionárias da odontologia goiana, a do cirurgião-dentista João Ferreira da Rocha Filgueira. Por isso, neste 25 de outubro, Dia do Cirurgião-Dentista, a Uniodonto Goiânia celebra a trajetória profissional e a dedicação de seus mais de 400 cooperados trazendo a inspiradora história de luta de João Rocha, cofundador da cooperativa nos moldes atuais, ex-presidente por vários mandatos (1996-2004) e referência no mercado em implantodontia. Também com esta entrevista, a cooperativa abre as comemorações de seu 43º aniversário de fundação, ocorrido em 29 de novembro de 1983, reverenciando a luta coletiva pela construção de uma das mais bem-sucedidas cooperativas de saúde do Brasil.
A trajetória do cooperado João Rocha é um exemplo para as novas gerações de cirurgiões-dentistas, principalmente pelo apreço que dedica à atuação em prol do coletivo. Juntamente com um grupo de pioneiros, ele foi uma liderança fundamental para transformação da cooperativa na configuração que ela tem hoje: operadora focada na assistência odontológica, com uma ampla rede de atendimento no estado construída ao longo de quatro décadas e com mais de 170 mil beneficiários.
Discreto, acolhedor no trato com as pessoas e com uma fala calma que desacelera os seus interlocutores, João Rocha, 60 anos, formado pela Universidade Federal de Goiás, é uma pessoa de presença e de conversa olho no olho. As referências a ele na internet são raras. “Não gosto e também não critico. É uma boa ferramenta, mas não é a vida. As pessoas estão mais preocupadas com a rede do que com o mar”, responde quando questionado pela ausência no mundo virtual. É também um homem do tempo presente – se surpreende com fotos mostradas a ele da época em que esteve à frente da cooperativa. “Nossa, não tenho fotos dessa época. Nem me lembrava dessa aqui”, foto em que aparece ele e Maria Rosa de Morais Diniz, a primeira secretária da cooperativa. “Foi nossa primeira funcionária”, completa ele.
João Rocha conta que é natural de Goiatuba, mas nascido em Goiânia, e explica: “Minha mãe só veio para o parto”. Retornou para a Capital em definitivo aos 11 anos para estudar. Casado com a também odontóloga Alba Lilian Rocha, ele divide o tempo entre a família, formada por três filhos, a rotina do consultório com os pacientes e a presidência da Comunidade Espírita Ramatis. Recentemente participou do programa Encontro da Rede Globo, comandado por Patrícia Poeta, no quadro Encontros de Fé.
Cooperado ativo, ele fala com orgulho da profissão e dos primórdios da cooperativa, que nasceu da iniciativa de um grupo de cirurgiões-dentistas, então voltada para o consumo, uma união de esforços dos profissionais para efetuar compras coletivas de insumos. Com dificuldades para manter o negócio, esse grupo procurou auxílio de Rocha, então integrante da diretoria da Associação Brasileira de Odontologia (ABO-Goiás). Instigado pelo pedido, João Rocha se debruçou sobre o estatuto, os desafios do mercado, a regulação do setor e reuniu os primeiros parceiros para a empreitada de transformar a antiga cooperativa em uma operadora de serviços odontológicos.
E graças ao esforço desse grupo de pioneiros e à visão de futuro do jovem odontólogo – já com atuação destacada no associativismo e com uma refinada compreensão do mercado profissional –, aliada à sua preocupação com o coletivo, veio a grande virada de chave para a constituição de uma das mais bem-sucedidas cooperativas odontológicas brasileiras. Hoje a cooperativa é líder nacional entre as mais de 100 singulares em resultado líquido, em avaliação da Agência Nacional de Saúde (ANS) e a segunda do país entre todas as operadoras odontológicas. A Uniodonto Goiânia tem uma história a ser reverenciada, assim como o legado de todos que trabalharam e trabalham para que ela se mantenha no topo, desde os primórdios em que saiu de uma sala no Edifício Rita de Albuquerque, na Avenida Anhanguera, para uma casa na Rua 23, no Centro, próximo à Avenida Paranaíba, até à sede própria na rua T-27, do St. Bueno, inaugurada em dezembro de 2018.
Na entrevista que segue, João Rocha resgata momentos fundamentais da história da cooperativa e dos pilares que a tornaram referência de sucesso, além dos desafios da profissão. Ele destaca, por exemplo, que um dos pilares norteadores sempre foi a inovação. Antes de deixar a cooperativa em 2005, o então presidente João Rocha realizou um processo de admissão de novos cooperados, aproveitando o interesse dos cirurgiões-dentistas em participar da nova Uniodonto Goiânia. E nos mesmos moldes de rigor e transparência que acontece atualmente, com edital público de chamada, participação em curso de cooperativismo e provas. Rocha pontua ainda que dá orgulho ver a cooperativa estruturada, sem qualquer tipo de problema, séria, correta e crescendo.
Movido pelo coletivo
– Sempre tive uma visão mais coletiva das coisas. Antes de chegar à Uniodonto, eu já tinha um trabalho dentro da ABO Goiás. Fiz parte da diretoria que construiu a sede da ABO-GO, que comporta os cursos de especialização da entidade. Na época tinha dois cursos de especialização e quando eu saí já eram 10 cursos. A Odontologia exige muito do profissional, tempo e dedicação, inclusive esforço físico. Sentia que podia dar uma contribuição, já atuava na organização de congressos. Um dia recebemos um pedido da presidência da época da Uniodonto, que estava pequena e com poucos cooperados e não era uma operadora como é hoje. Recebemos visita do seu presidente Carlos Schroeder, que nos pediu apoio. Apresentei para a Diretoria uma proposta do que poderia ser feito. Naquela época já estávamos vivenciando uma quantidade muito grande de faculdades de Odontologia, grande número de formandos e empresas na área. Era clara a percepção de que seríamos explorados nesse mercado e uma forma para fazer frente às empresas era o cooperativismo. Juntamos 50 cooperados novos, fizemos uma cota inicial e lançamos os primeiros planos odontológicos. Também fizemos um projeto de parceria com a Unimed, apoio fundamental para conhecermos o funcionamento de uma operadora de saúde. Então, passamos a existir no mercado.
Dos desafios à dignidade do trabalho
– Foi como desbravar um sertão, mas com muita responsabilidade para que as coisas dessem certo. E com o espírito de contribuir com o coletivo. Precisávamos ter uma alternativa a esse processo de exploração de nossa mão-de-obra, que é especializada, com uma formação cara. Então, melhor do que ficar reclamando é ir à luta para oferecer ao mercado algo que seja digno como a nossa cooperativa. Organizada como ela é, com o trabalho dos que vieram depois de nós, porque ninguém faz nada sozinho.
Aprendizado como legado
– Vejo esse meu processo na cooperativa como uma experiência muito boa e de muito aprendizado. Claro que sempre temos um preço a pagar, a falta de tempo para a vida pessoal. Saí em 2005 para me dedicar mais à minha família. Mas foi uma contribuição que dei com muita alegria. Fico muito feliz de ver que nossa cooperativa ficou muito maior. Ela está aí hoje estruturada, organizada e respeitada. A minha alegria está aí, olhar essa cooperativa e dizer que dei a minha pequena contribuição.
Inovação como um dos pilares
– Inovamos também na forma de admissão de novos cooperados. Como existia muito interesse dos odontólogos em participar da Uniodonto, criamos um processo de admissão antes da minha saída em 2005. Quem se candidatava tinha que fazer um curso de cooperativismo, apresentar a especialidade e se submeter à prova. Esse processo com o curso era também uma forma de difundir o cooperativismo, de promover a educação cooperativista. A pessoa precisava saber que ele não estava entrando para um convênio, e sim se associando, participando de uma empresa e que passaria a responder por ela a partir dali. Assim é uma cooperativa.
Gestão qualificada como marca
– Minha visão hoje da Uniodonto Goiânia é de uma organização séria e correta. Uma operadora de saúde que não tem nenhum problema, que é sólida do ponto de vista da imagem, do ponto de vista da qualidade do atendimento, do ponto de vista também financeiro. É uma estruturação que ela vem fazendo ao longo dos anos. Vejo de maneira extremamente positiva a nossa cooperativa e parabenizo as administrações, porque considero que elas foram dentro dessa sequência. Era uma coisa que a gente tinha preocupação, por isso, começamos naquela época a formação de dirigentes através da conexão dos grupos com a OCB Goiás. A OCB tinha e tem os cursos de pós-graduação. Eu sei que a Uniodonto talvez seja dessas cooperativas a que mais aproveitou e formou o seu capital humano, seus dirigentes e conselheiros dentro dessa estrutura do Sescoop. Já falámos naquela época dessa necessidade da profissionalização da gestão.
A profissão de Cirurgião-Dentista
– É uma profissão muito exaustiva. Como toda profissão, tem as suas dificuldades e o lado do mercado que não podemos fugir. Mas considero que ainda é uma profissão que o resultado é proporcional à dedicação e à forma como atendemos as pessoas. Não é só a parte técnica, porque isso já é obrigação. A Odontologia avançou muito. Eu vejo que é como você atende, como lida com esse outro ser humano, com as dores dele, inclusive ligadas ao tratamento. Às vezes, uma insatisfação ao longo da vida com um sorriso, com a perda dos dentes. Eu acho que tudo isso influencia. Penso que o profissional que tem essa sensibilidade para olhar a pessoa e ver que ali é um ser humano, não é só um conjunto de dentes, leva vantagem.
A referência dos pacientes
– Do ponto de vista remuneratório, talvez não seja o que aparenta. Vemos nos profissionais mais jovens questões muito ligadas à imagem, internet e busca de resultados imediatos. O profissional vai ter sua remuneração digna se trabalhar bem. É um equívoco pensar que vai enriquecer com a Odontologia. A nossa referência são os pacientes, que encaminham outros pacientes.
O espaço do humano
– Trabalhamos de forma muito próxima com nosso paciente. A gente mexe em um lugar que é muito íntimo. Isso cria um relacionamento e precisa ser estabelecida uma relação de confiança. Ali tem um ser humano que precisa ser respeitado nas suas dificuldades e necessidades. Esse respeito fortalece a conexão.



“Minha visão hoje da Uniodonto Goiânia é de uma organização séria e correta. Uma operadora de saúde que não tem nenhum problema, que é sólida do ponto de vista da imagem, da qualidade do atendimento e também financeiro. É uma estruturação que ela vem fazendo ao longo dos anos”
“Trabalhamos de forma muito próxima com nosso paciente. A gente mexe em um lugar que é muito íntimo. Isso cria um relacionamento e precisa ser estabelecida uma relação de confiança”






